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fe 3 portland | oakland

jim_ryan.jpgHá décadas que o saxofonista, flautista e poeta beat Jim Ryan (n. 1934) assola a região de S. Francisco, como sideman ou como líder dos seus próprios grupos, geralmente praticantes de várias modalidades ligadas à free music. O percurso de Ryan foi iniciado logo após a permanência com Steve Lacy, nas célebres free jams do início de 70, em Paris, para onde partira em 1968 na massiva leva de imigração de músicos norte-americanos para a Europa. Nos anos 70 andou pela Europa com a sua Free Music Formation. Em meados da década regressou aos EUA, a Washington, e formou o Art Performance Group. A mudança para a Califórnia data de finais de 80, onde passou a tomar parte na fervilhante na comunidade musical da Bay Area. Nos anos 90, Jim Ryan continuou discreta e pacientemente a procurar uma voz e de um caminho próprios. Em 1996 fundou a Jim Ryan Forward Energy, colectivo de improvisação livre de matriz jazzista e de formação variável, que acolhe músicos como Eddie Gale, Alicia Mangan, Peter Valsamis, Donald Robinson, Spirit, Rent Romus, Damon Smith ou Adam Lane.

Ao todo, foram sete os discos que a Forward Energy gravou, seis editados na Edgetone Records, com produção de Rent Romus, e um, Concept, na Cadence Jazz Records, produzido por Bob Rusch. Nas duas mais recentes saídas de Ryan com a sua Forward Energy o formato utilizado é o trio, abreviadamente designado por FE3.

4048.jpgNo primeiro caso, FE3 Oakland, gravado em estúdio naquela cidade americana em Abril de 2006, além de Jim Ryan, em saxofones e flauta, tocam Scott R. Looney, companheiro habitual no piano, e Stephen Flinn, bateria. Em FE3 Portland, gravado em Junho do mesmo ano, em Portland, participam Robert Jones, contrabaixo, e Andrew Wilshusen, bateria. Num disco e noutro as composições são criadas no momento da execução, com espírito militante fortemente ancorado na tradição do free jazz tal como desenhado pelos mestres Ayler e Coltrane, embora menos afogueado.

4049.jpgA música de Ryan não trás nada de essencialmente inovador, aspecto em si mesmo irrelevante, até porque este é um debate há muito encerrado. Importa, sim, considerar a destreza, a fluência e a musicalidade do trio; o equilíbrio nas formas e proporções, características que lhe dão um ar intemporal. O trio consegue sustentar o interesse na exposição, mesmo nas alturas em que as tonalidades da paisagem não variam de modo assinalável.

A música é empenhada, quase compulsiva. Ryan resolve todas as situações, sabe contar histórias, desenhar metáforas e poemas em forma de música. A temperatura geral nunca atinge o vermelho, mas levanta fervura nos lances em que a intensidade sobe, partindo de estruturas inicialmente precárias, que se vão consolidando em conversas triangulares, abrindo progressivamente em círculos concêntricos, encadeamento de pergunta, reposta, refrão, nova pergunta, etc.

O som de Jim Ryan é limpo, sem excesso de peso e rico em subtilezas harmónicas. A interacção entre os músicos e a proficiente gestão da intensidade espelham a tensão omnipresente que se transforma em música emocionalmente provocante. Eduardo Chagas

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