joe henderson | power to the people
Sábado, Março 31st, 2007
Depois da Blue Note, editora que lhe deu nome e projecção, no final da década de 60 Joe Henderson assinou pela concorrente Milestone. Esta casa, que o recebeu bem e lhe abriu as portas à experimentação, permitiu-lhe pôr em prática as ideias pessoais que trazia consigo e expôs no extenso catálogo que lá deixou, influenciado pelas que circulavam nos mundos DC (Depois de Coltrane) e AME (Antes de Miles Eléctrico). Electricidade é a palavra de ordem neste Power To The People (Milestone, 1969). A reedição é do Concord Music Group, inserida na Keepnews Collection. De Orrin Keepnews, o fundador de Milestone em 1966, são as notas incluÃdas na edição original em LP, reproduzidas no CD.
Comum à s duas fases (Blue Note e Milestone) é o caracterÃstico fraseado de Joe Henderson, tal como fenomenal sentido de tempo e a capacidade de explodir nos momentos de maior tensão, equilibrando arestas aguçadas com ângulos arredondados. Power To The People é bom de ponta a ponta. O estilo varia entre o hard bop em fim de ciclo e respira as novidades que chegavam dos lados do jazz eléctrico, de que Miles viria a ser a figura central, a partir de 1969. Com Henderson toca um super-grupo formado por Mike Lawrence (trompete em dois temas), Herbie Hancock (pianos, eléctrico e acústico), Ron Carter (contrabaixo e baixo eléctrico) e Jack DeJohnette (bateria). Eduardo Chagas
Está pronta a sair, a mais recente obra de grande fundo de Anthony Braxton, 9 Compositions (Iridium) 2006 – nove CDs e um DVD contendo a integral das gravações realizadas na Primavera passada pelo 12teto + 1 de A. Braxton, no Iridium Jazz Club de Nova Iorque. O Lançamento oficial está marcado para 3 de Abril, na
Acts of Love.
De cada vez que o tempo e o modo se gastam, alguém se encarrega de os renovar e reformular. Tal é o caso do trio de piano que Enrico Pieranunzi juntou para gravar o disco que adequadamente titulou Special Encounter, que o é na escolha dos temas - três clássicos muito batidos, My Old Flame, Why Did I Choose You? e You’ve Changed, aqui surpreendentemente refrescados; três originais de Charlie Haden e cinco composições de Pieranunzi, especialmente talhadas para a ocasião. Especial, também pela atmosfera de horas mortas, daquelas em que todos os gatos já foram pardos e cujas cores se começam a fixar e distinguir aos primeiros raios de luz.
É corrente ouvir-se dizer que o jazz americano dos anos 70 é para esquecer, que a fusion tomou conta das operações deixando pouco ou nenhum espaço para outras formas de expressão dentro do género, e outras meias verdades que são hoje lugar comum. Mas a história tem outras nuances mais complexas que esta linearidade simplista e falaciosa. Por exemplo, em meados dos anos 70, particularmente em Nova Iorque, o jazz apresentava uma vitalidade pouco comum em décadas anteriores e posteriores. À mÃngua de contratos para tocar em locais públicos, salas de concertos, bares, etc, e de oportunidades de gravação, parte da comunidade musical nova-iorquina decidiu emigrar para a Europa em busca de melhores condições de vida e criação artÃstica.
The Holy la. A nota musical sagrada, aquela pela qual, segundo Steve Lacy (1934 - 2004), a maioria dos músicos afina os seus instrumentos. Três mestres em campo, mais a voz da mulher de Lacy, a cantora e violoncelista Irene Aebi, em dois temas: Inside My Head e Retreat, este último dedicado à memória de Bob Marley. Trinta anos de trio fizeram com que Steve Lacy, saxofone soprano, Jean-Jacques Avenel, contrabaixo, e John Betsch, bateria, tocando embora peças harmonicamente complexas, se permitissem tomar as mais amplas liberdades ao nÃvel da improvisação, sem perder um grama da coesão e unidade que sempre marcaram o trabalho das variadas formações de Steve Lacy.
Things Heard Unheard é o primeiro disco de Brian Willson como lÃder. Willson, que começou a improvisar em 1977, segundo o próprio, depois de ter assistido a um concerto da Sun Ra Arkestra em Chicago, é um veterano baterista e percussionista que tem andado entre o rock e o jazz, shows da Broadway e a música contemporânea. Um artista versátil, portanto, que cobre uma considerável variedade de estilos e formas musicais. Recentemente, gravou uma série de duetos com Pauline Oliveros, no projecto As It Is. Mantém activo o quateto com o saxofonista Salim Washington.
Outra boa notÃcia que acaba de cair aqui na redacção é a de que New & Old Gospel, o incrÃvel disco de 1967 (ano em que Coltrane passou o testemunho a outros, note-se) de Jackie McLean, foi rudyvangelderizado e hoje mesmo (20/3) posto em circulação pela Blue Note. Recordo que além do som bluesy e gospelizado do grande senhor McLean, que não é demais incensar, temos o aliciante de ter a bordo Ornette Coleman, em trompete. Lamont Johnson (piano), Scott Holt (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria) fazem o pleno da secção rÃtmica. A reinvenção da forma e do conteúdo que o jazz sofreu na década de 60 prosseguia com discos como este, um dos mais out de sempre de mestre McLean. Em LP sonha divinalmente, em CD simples nem tanto; agora vamos lá ouvir o que Rudy Van Gelder nos tem para (re)oferecer em mais uma RVG Remaster Edition. 

















