three
Terça-feira, Fevereiro 27th, 2007
1, 2, 3 discos do trio Cosmosamatics, o nome colectivo que alberga de há uns anos a esta parte a dupla de grandes improvisadores, Michael Marcus, Jay Rosen e Sonny Simmons. Este último, o veterano acompanhante de Prince Lasha e Eric Dolphy, mas também de John Coltrane, Sonny Rollins, Don Cherry e Sun Ra, nos idos de 60. Esteve uns anos afastado das lides, mas entretanto recobrou fôlego para uma fulgurante segunda parte de carreira, que prossegue com surpreendente leveza ainda hoje, aos 73 anos.
Em 2003 deu-se o desejado regresso de Ivo Perelman aos discos, ele que tinha anunciado que se iria afastar da música para se dedicar a tempo inteiro à pintura, reproduzida no interior do folheto do disco, à razão de um quadro por cada peça da suite em 7 partes. E em que forma voltou o saxofonista brasileiro há mais de 20 anos a viver em Nova Iorque! O som de Perelman não perdeu um grama de peso. E parece ter ganho em bravura, pulmão, velocidade e expressividade, na exploração de movimentos e nuances de raiva e doçura, revoadas de cores, formas e texturas, como no acrílico sobre tela. Dir-se-ia que a plasticidade do som de Perelman é o correlativo da sua pintura.
The Space Between with Barre Phillips, edição da 
«O regresso de
Que uma parte das ideias finais de Miles Davis se cruzou com o universo peculiar de Sun Ra, disso já todos sabíamos ou andávamos desconfiados. Onde? No imaginário de quem investiga a música de um e de outro, certamente. Mas também no trabalho de artistas que procuraram aquele território comum, uma imensa zona de intersecção que se começou a desenhar nos finais de 60, começos de 70, com o estabelecimento de um novo groove, paradigma da música improvisada daquele tempo. É nesta dupla matriz que se enquadra este interessante ensaio de Julian Priester, desde logo porque o trombonista havia tocado durante longo tempo com Sun Ra, sem desdenhar um olhar atento e curioso sobre as emergentes movimentações de Herbie Hancock e do Weather Report. Foi neste contexto de novas combinações spacey-funk com instrumentos de sopro, que o sintetizador e o piano eléctrico Fender Rhodes fizeram escola e modificaram para sempre a paisagem do jazz, contribuindo para o alargar da brecha que separou os campos.
Uma remoçada ESP-Disk, fundada há mais de 40 anos por Bernard Stollman, está aí fresca e ladina para as curvas. A comprová-lo, exemplo entre vários outros, está este dois em um de
Há um pouco de tudo nesta edição: do solo de contrabaixo de Children At Play, ao duo com o trombonista Radu Malfatti, passando pelo sexteto Harry Miller’s Isipingo, e pelo quinteto com o holandês Willem Breuker - de uma assentada são cinco em três. Isto é, cinco LPs em três CDs - Harry Miller 1941-1983: The Collection. Harry Miller, contrabaixista e compositor, nasceu na África do Sul em 1941, e veio a falecer num acidente de viação, em 1983, na Holanda, país onde vivia ao tempo.


















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